O que eu poderia ter feito. N.1

Estou começando essa série como um processo de autocura. Colocando para fora os pensamento que chegam sempre que eu sinto que deveria ter agido de forma diferente da que agi. É a série: #Oqueeupoderiaterfeito

É autocura porque é, ao mesmo tempo, aprendizado e liberação. Jogando para o vento mas assimilando ao mesmo tempo.

Essa série começa com: Eu estava numa discussão com colegas do trabalho. Elas estavam discordando do meu ponto de vista. Em um certo ponto da conversa, uma delas, a mais eloquente, fez uma argumentação colocando uma outra temática. Aí eu enveredei pela nova temática. Discordando. Aí ela falou “Ah, mas isso é outro assunto”. E eu: “É verdade. Vamos voltar a trabalhar”. Mas o fato é que ela que colocou o assunto, não eu. Então, eu penso que eu poderia ter falado: “Sim, mas foi você que trouxe ele e não eu”. E tudo bem.

É profunda a minha dificuldade com discordar de maneira cordial. Tudo que sai de mim é cheio de emoção. E às vezes fico irritada. E tenho dificuldade de responder irritada. Como medo de perder a relação. Com medo de a pessoa não gostar mais de mim ou não querer mais me ajudar… É profundo o negócio. Ao mesmo tempo, também tenho uma capacidade muito grande de aceitar e refletir sobre as outras perspectivas das pessoas. Sou aberta a novos olhares. Como ser os dois sem me sentir me abandonando?? …Eis o mistério da fé. hahahaha XD

Escreva, Vic. Escreva.

Comecei esse blog há alguns meses atrás porque eu estava sentindo a necessidade de me expressar. De colocar para fora meus pensamentos. Eu sou um turbilhão de ideias (pelo menos eu acho). Escrevo páginas e páginas de todos os dias. Acho que por isso ainda me mantenho no doutorado. Poruqe é um momento em que eu posso escrever . Ter ideias. Rabiscar. Mesmo que Essas idéias não vão para a frente. O processo criativo é esse. Criar. Criar. Criar. Se expressar pelo prazer/fogo interior de se expressar.

Então eu comecei, linda leve e maravilhosa. E o resultado: o negócio fluiu solto. Eu passei a escrever cada vez mais. Cada vez mais um pouco. Parar durante o trabalho para escrever virou prática comum. A questão é que eu estava sentindo que estava deixando o doutorado de lado, e a essa altura do campeonato eu não posso me dar ao luxo de fazê-lo. Estou com o cú o ponto já. rsrs

Mas aí a vida não parou. E hoje faz duas semanas que passei a compartilhar minha prática diária de meditação com as pessoas via internet. Pense numa realização pessoal? Encontrei algo que faz total sentido para mim e com o qual posso me conectar com pessoas. Ajudar e ser ajudada. É tanto carinho. 🙂

Mas a questão é que a escrita estava relegada a um espaço secundário. E ela é um pedaço importante de mim. Eu escrevo pilhas e pilhas de papel. Sempre reflito escrevendo. Colocando minhas ideias para fora por meio da escrita. Só que eu não tenho me dado o tempo para fazê-lo. Tenho vários insights… e sinto que não tenho mais porque relego à escrita e compartilhamento dessas ideias um espaço secundário no meu dia. E é foda isso porque é como se eu estivesse negando uma parte de mim. É tão lindo deixar o coração e a mente se manifestarem pelos meus dedos. Me completa. De verdade.

Então, vamos fazer um trato. A divulgação da meditação é a primeira atividade do dia. E a escrita é quando eu sentir necessidade de escrever sobre alguma coisa. E aí eu tento equilibrar doutorado com escritas. Porque é assim que eu vivo. Escrevendo, meditando e doutorando… é meu estilo de existência. E nesse processo. Nessa viagem interior eu tenho aprendido e reaprendido tanto… que quando eu não escrevo sobre isso eu sinto que estou me anulando. Sabotando meu eu interior. Sabotando meu eu criativo. Então foda-se. É isso. Vivo no agora e estou sendo feliz no agora. O amanhã eu construo no agora. Nada de viver da escassez.

De missão em missão

Eu não sei pq razão universal, desde nova me interessava por tópicos tratando da humanidade e seus mistérios. Gostava de ler sobre como civilizações inteiras aparecem e desaparecem, sobre como usar as forças da natureza de maneira harmônica, sobre karma, etc. Tinha uma propensão inata a questões de justiça. Sempre gostei de ajudar as pessoas. Desde nova escutava Bob Marley com meu pai. E aquelas palavras. Aqueles chamados para a pacificação da existência terrena, sempre tiveram tanto significado para mim… Sempre gostei de gente. Em geral tinha convivência harmoniosa com todo tipo de gente. As mais e menos queridas por meus amigos e parentes. Enfim, fiz toda essa reflexão para não explicar o porquê de eu sempre querer trabalhar com algo que contribuísse para melhorar a condição de vida da humanidade. Sem saber muito bem o quê. Daí fui levando… fui fazendo o que deveria fazer… estudando, passando no vestibular, me formando, indo trabalhar… até que vi o documentário do Cradle to Cradle… e bum!! Td fez sentido. Uma existência sem geração de lixo seria a solução para a humanidade. E larguei o trabalho. Fui fazer mestrado e doutorado para trabalhar com fechamento de ciclo. Ou seja, ajudar a humanidade a não gerar mais lixo. E isso, em minha visão era o máximo.  Até que a questão racial bateu na minha porta. E, com isso, a paixão pelo fechamento de ciclo foi um pouco arrefecida. De todo modo, ainda sigo nessa jornada no doutorado. Ainda mais arrefecido. rsrs

Só mais recentemente, depois de aceitar o meu chamado para um mergulho em mim mesma. Depois de ter parado de consumir produtos de origem animal. Depois de estar meditando regularmente. Depois de escutar Bayyinah Bello, Ralph Smart, Prince, Teal Scott. Depois de fazer coaching com a meta de me tornar inteira para ter a vida que eu desejo… depois de fazer um retiro nas alturas indo e voltando de Amsterdam para Nova Iorque num mesmo dia… enfim… Depois de muito experienciar e questionar essa existência… Hoje eu penso que nenhuma solução faz sentido enquanto vivermos na ilusão da separação e da competição. E do tempo. Enquanto cada um de nós não tivermos em paz com nós mesmos, não veremos paz fora de nós. Isso vem com autoatenção, autoaceitação, autoobservação, meditação, autoconhecimento. Vem com educação para o fechamento do ciclo interno. A gente quer fazer tudo externamente. Fechar levar saúde e sustentabilidade para o mundo externo, mas o nosso corpo não está nem saudável nem sustentável. E o princípio do espelhamento é universal. O mundo externo é um espelho do interno. Então, agora faz parte de meu propósito, ajudar as pessoas a se conhecerem. A se aceitarem. É um processo. Contínuo. E muitas vezes chatinho de seguir. Mas é o caminho. Cada um de nós somos um microuniverso, espelhando o macrouniverso. E o mundo que experimentamos fora é um espelho do que levamos dentro. Por isso, cuidemo-nos, conheçamo-nos, transformemo-nos. E o mundo se transformará.