Fazer mil coisas ao mesmo tempo: abundancia ou escassez?

Eu era daquelas pessoas que sempre, sempre, sempre tinha algo para fazer. Na adolescencia fiz varios esportes, cursos de idiomas, estava sempre me movimentando. Fazia porque esportes pq gostava e fazia cursos de idiomas pq… bem pq tb gotava rsrsrs Isso alem da escola convencional.

Na universidade eu despiroquei. Comecei fazendo duas faculdades: Engenharia Quimica e Turismo. Por muito custo decidi largar o turismo depois de dois anos de estudo paralelo. Mas ai tinha ainda esportes, idiomas, aula particular, aula em cursinho, centro academico, empresa junior, iniciacao cientifica… ate na criacao da incubadora da universidade eu me meti. Qual a crenca por traz dessa vida a mil por hora?? Hj eu sei. Mas vamos seguir no relato.

Chegou um momento em que eu estava tao, mas tao exausta que eu pensei que eu iria enlouquecer. Serio.

E isso minhas tias sempre me falando, “Vic, cuidado com seu corpo. Voce quer abracar o mundo mas o corpo tem limite…” entre outras coisas. E eu nao dava ouvidos. AChava que era visao de pessoas sem visao. hahahahaha que nao entendiam a minha dinamica, que pensavam pequeno… enfim. Varias coisas. E hj eu vejo que elas apenas queriam preservar o que eu tenho de mais precioso: a minha saude. Elas queriam me preservar.

Nesse interim do colapso, eu comecei a fazer yoga. Foi o que salvou a minha integridade mental. Fazia todos os dias. Inclusive sabados. Nossa, foi uma tranformacao. Um reencontro. Minha vida mudou para melhor.

Sai da empresa jr., sai do centro academico, parei de acompanhar as discussoes para a incubadora. Estava focada apenas no estagio, na conclusao do curso de engenharia e no yoga. E na aula na Biko. (Acabei de lembrar do Pompa – Projeto Mentes e Portas Abertas – que tambem fiz parte durante a universidade. Eita nois)

Enfim.

E dai me formei. Comecei a trabalhar na Braskem. Engenheira Jr. de Automacao. E ai eu sempre me vendo na divida. Nunca achava que eu sabia o suficiente. Sempre estudando, correndo. Fazendo hora extra sem receber por isso. Recebendo telefonemas de madrugada e em fins de semana para resolver perrengue. E estudando. Fiz diversas disciplinas do curso de especializacao da UFBA. Aprendi a digitar sem olhar no teclado (isso foi otimo hehehe). E sai do yoga porque comecei a morar sozinha e distante da escola e ficaria pesado continuar pagando. Enfim.

Ate que sai da Braskem para comecar o mestrado na UFRJ. Vida nova.

Cheguei la e meu querido amigo Andre me mandou logo o recado “Vic, tem de ser A ok? Foca em tirar A.”. Eitaaaaaa como se eu ja nao gostasse. hahahaha Esse foi meu drive. A mil por hora. Estudando. Dando o maximo. Tirando boas notas. E o resultado: A. Bolsista nota 10 da Faperj. Alegria alegria! Agora eu seria respeitada! Essa era a minha crenca creio eu. Gostava de ser considerada a inteligente. Eh como se aquilo definisse quem sou.

Mas n foi soh isso, no drive de me destacar, de fazer coisas legais, expandir minha area de atuacao, meu conhecimento, de fazer coisas positivas para o mundo, etc etc etc… Eu me tornei representante da turma de mestrado e comecei a trabalhar para um projeto da diretoria de tecnologia e inovacao voltado ao desenvolvimento da cultura empreendendora na Coppe/UFRJ.

Balaaaaaaaaaa. Ultra feliz, com super resultados. Fui para o Japao em 2002 (eu ja tinha estudado japones! uhu!). Participei da competicao de sustentabilidade da Siemens e UNEP na Rio+20 (Bia <3), apresentei trabalho em congresso, enfim…. jah esta super longo o texto e eu ainda teria o triplo para contar desse periodo ate os dias atuais.

Mas o que quero falar eh que eu vivia nessa sangria desatada. Fazendo um zilhao de coisas. Que em si nao eram ruins. E eu nao sofria (ou nao tinha consciencia da falta de sossego como sofrimento). Mas havia algo nessa dinamica que estava alem da vontade de salvar o mundo. Era a vontade de salvar a mim mesma. Eu qeuria garantir de toda e qualquer maneira que eu estaria a salva. De que alguem veria meu talento e que eu acabaria num bom emprego (sem mesmo fazer ideia de que emprego seria esse). Nao tinha ideia precisa se eu queria um emprego ou se queria ser autonoma. Na duvida jogava nos dois. Fazia bonito pros outros de um lado e aprendia um pouquinho de empreendedorismo do outro.

Hoje eu vejo que eu queria garantir que eu seria alguem na vida.

Desde pequena, escutei de que eu tinha de estudar, dar duro, ser a melhor, batalhar para ser alguem na vida. Escutava isso como um mantra. E eu absorvi isso em meu sistema de crencas. Ou seja, vivi uma vida abudantemente dinamica movida por uma crenca na escassez. Como o dinheiro era escasso, eu queria garantir o meu. E meu drive era fazer bonito acreditando que alguem, algum benfeitor ou benfeitora reconheceria as minhas habilidades e conquistas e me garantiria um boa atividade remunerada, uma boa posicao. E isso sem eu pedir, ok? (Porque pedir significava ter feito uma escolha, e eu nunca soube o que queria para alem de ser alguem e de trabalhar para o bem do planeta). Isso mesmo, todas as atividades remuneradas que tive eu fui chamada, ou incitada por alguem. Ate para ficar na Braskem apos o estagio eu so comuniquei (nao pedi) que gostaria de permanecer la no ultimo furo. Quando eu me vi sem outra perspectiva de receber salario apos me formar engenheira quimica. Felizmente, nao por sorte, mas sim porque estava escrito, eu fui contratada.

E assim eu tenho vivido ate pouco tempo atras. Consciente dos meus principios e valores (marromeno rsrs), das minhas capacidades e potencialidades mas inconsciente do meu objetivo, do meu proposito. Entao, voltando ao titulo do post: “Fazer mil coisas ao mesmo tempo: abundancia ou escassez?” Hj eu sinto que a minha caracteristica tao marcante de multitarefas na verdade era um reflexo da ideia que levava dentro de mim de que nao tem o suficiente para todos e de que eu queria me salvar. Queria garantir o meu. Vivendo relativamente tranquila com a incerteza de nao saber qual era o proposito especifico porque certamente com todas as qualificacoes que eu tinha, algo de bom ia me acontecer. hahahahahhahaha Jezuixxx rsrs No fundo no fundo era bem isso msm.rsrs

E agora me vejo aqui. N incerteza de um doutorado. E tambem na incerteza com relacao a essa certeza que eu tinha de que algum espirito bom se compadeceria da minha batalha e me ofereceria alguma posicao. <O interessante eh q todas, TODAS, TO-DAS, as pessoas com as quais conversei sobre isso me falaram “Victoria, sendo a pessoa que voce eh, voce eh para escolher onde quer trabalhar. Voce pode trabalhar em qualquer lugar. Voce pode o que voce quiser.”> O foda eh: E o que eu quero pelo amorrrrrrrrr de Krshna??? huahauhauhauha

Aleluiamente, gracas ao Cosmos, aos seres de outras dimensoes, a Ogum meu pai, aleluiamente, a visao do que eu quero esta se tornando cada vez mais nitida para mim nos ultimos meses. Porque ainda tem isso, o que eu quero para mim tem de compatibilizar com o que a vida quer para mim. hahahah Porque nem tudo que eu quero para mim eh de fato para mim. Isso tb tenho constatado ultimamente.

Eh isso que eu gostaria de refletir nesse post. Porque eu sempre fui admirada pela minha dinamica (que de fato eh minha) e eu sempre fui cheia de mim tambem por causa dessa dinamica. Mas eu nao tinha consciencia da crenca por tras dela. Alem da falta de sossego. Da constante pressa. Constante preocupacao. Sempre ocupada. Sem tempo para minha familia. Para meus amigos. Para meu namorado. Isso tudo eu que criei. Nada disso eh de fato necessario para ser alguem na vida. Ate porque eu ja sou, na real sempre fui, alguem na vida. So que eu nao tinha consciencia disso. E agradeco ao Cosmos por eu estar fazendo contato com isso tudo hoje.

Essa sangria desatada me trouxe varias conquistas, mas tambem me afastou de mim. E isso eh o mais importante de tudooooo, TUDOOOOO, TU-DOOOOOO. Saber quem eu sou. Saber o que eu quero. Saber para que estou aqui.

E para isso eh preciso parar, PARAR, PA-RAR. Parar!

Se escutar. Se sentir. Se conhecer. Se deixar fluir.

Se eu nao sei o que quero, de nada adianta o corre-corre. De nada adianta as noites sem dormir. As conquistas. Os premios. Os titulos. E preciso ter uma visao da propria vida. Que vida eu quero viver? E comecar a vive-la no presente. Como estou fazendo atualmente. 🙂 Gloria!rsrs

Mas nao eh facil. Nao eh facil parar de repetir os padroes que fizeram parte de minha vida por 32 anos. Nao eh facil deixar oportunidades de lado por sentir (sim SENTIR) que aquilo ali nao eh para mim. Nao eh facil. Mas eh necessario. Se eu quero uma vida de plenitude e inteireza. Uma vida de alegria e calma. Uma vida de saude. Uma vida de prosperidade. Uma vida que capte e se alinhe aa abundancia do universo. Porque o universo eh abundante, a gente soh precisa se sintonizar nessa vibracao.

Mensagem final? Simplefique. Simplifique. Respire. E se comunique.

 

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2 thoughts on “Fazer mil coisas ao mesmo tempo: abundancia ou escassez?

  1. The Little Church
    Music and lyrics by Donovan P. Leitch

    If you want your dream to be
    Take your time, go slowly
    Do few things but do them well
    Heartfelt work grows purely
    If you want to live life free
    Take your time, go slowly
    Do few things but do them well
    Heartfelt work grows purely

    Day by day, stone by stone
    Build your secret slowly
    Day by day, you’ll grow too
    You’ll know heaven’s glory

    If you want your dream to be
    Take your time, go slowly
    Do few things but do them well
    Heartfelt work grows purely
    If you want to live life free
    Take your, time go slowly
    Do few things but do them well
    Heartfelt work grows purely

    Day by day, stone by stone
    Build your secret slowly
    Day by day, you’ll grow too
    You’ll know heaven’s glory

    If you want to live life free
    Take your time go slowly
    If you want your dream to be
    Take your time, go slowly
    If you want your dream to be
    Take your time, go slowly
    If you want to live life free
    Take your time go slowly
    If you want to live life free
    Take your time go slowly

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