Sobre a apresentação de Mujica na UERJ (Agosto/2015)

Ao postar o video da apresentação de Mujica no face junto com um trecho de sua fala, um amigo fez uma ótima provocação. A seguir coloco o trecho reproduzido, juntamente com a resposta do amigo Maurício Wilson, minha resposta e outras reflexões.

Mujica: “Nós temos que pensar como espécie e não como países. E isso engloba o mundo inteiro. Os pobres da África não são da África, são do mundo inteiro. Os homens que atravessam o Mediterrâneo são nossos. Todos são nossos conterrâneos. A liberdade não se vende, se ganha fazendo algo pelos demais”

Maurício Wilson: “Sinceramente, as vezes parece que America Latina não tem solução mesmo. O Mujica começou discurso a falar da desigualdade nesse continente e logo foi buscar exemplo de pobreza na África se ele tenha pobreza a trás das costas dele na Favela de Mangueira, ou ele não queria responsabilizar ninguém. Apesar da preocupação com o ser humano, me parece que os líderes latinos americanos não se incomodam com o RACISMO, visto que quase todos os estudantes ali incluídos eram brancos. O Brasil quer crescer economicamente, em vez de qualificar e empregar, mata grande parte dos jovens que poderiam trabalhar fortemente para fazer crescer a economia desse país que não necessariamente se resumiria apenas ao trabalho forçado, mas sim, o trabalho intelectual. A Líbia antes da derrubada do regime de Muammar al-Gaddafi o bem estar humano não se comparava a muitos países de America Latina, incluindo Brasil, Colômbia e México. Mas esses líderes latinos americanos ainda promovem discursos que reforça na mente dos descendentes africanos a não tirar referencia na África. Será que eles teriam receio que um dia repetisse na América Latina tipos de movimentos que culminaram com a derrubada dos regimes fascistas Europeias na África? Mujica falou da igualidade social, mas não foi humilde na resposta à uma estudante, porque pelo menos tem muitas figuras políticas que lutaram por direitos humanos e hoje falar do direito humano e não citar pelo menos Nelson Mandela, seria fatal. Apesar de existir outros como Mahatma Gandhi, ambos não europeus e nem são descendentes europeus.
O palestrante falou de problemas que envolve a pobreza e menos idade penal, mas em nenhum momento comentou sobre a maioria preta que morre no Brasil, então, mais uma vez. Para nós é mais um discurso político.”

Eu: Massa sua perspectiva, Maurício! Concordo em partes. Infelizmente a universidade (brasileira e latinoamericana) ainda é de maioria branca. E a real é que as pessoas que ali estavam eram mais sensiveis aos avanços ocorridos no Uruguai como a descriminalizacao do consumo de maconha e do aborto. Eu nao posso desqualificar o discurso dele. Mesmo nao falando da questao racial (que tambem nao foi pautada). É por isso que é importante a representatividade negra. Termos cada vez mais negros nos espaços de poder. Para massificar leituras criticas como a que vc acabou de fazer e também pq somos nós que pautamos o racismo (pq somos nós q sofremos por sua existência e reprodução todos os dias). Sobre a questão da pobreza e associação c África concordo plenamente. Pensei nisso dps q compartilhei esse trecho, mas agora penso que foi ótimo pela provocação que te fez expor sua ótica aqui. Obrigada!

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Essa pequena discussão me fez despertar para a necessidade de dar vazão às minhas leituras críticas. A explorar mais profundamente repentinas impressões de que algo não me pareceu muito bem a partir de coisas lidas, escutadas ou vistas. Muitas vezes uma fala ou um texto me soam um tanto estranho e eu não exploro essa estranheza. No entanto, é aí que moram as descobertas. As percepções que mudam. As visões que revolucionam.

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