Leitura crítica da história da agroindústria brasileira: “A questão agrária no Brasil: da modernização conservadora ao agronegócio”

Esse post trata de minhas impressões acerca do artigo “A questão agrária no Brasil: da modernização conservadora ao agronegócio” de Selma de Fátima Santos no livro “Questão agrária, cooperação e agroecologia. / Henrique Novaes, Ângelo Diogo Mazin [e] Laís Santos (organizadores).— 1.ed.—São Paulo : Outras Expressões, 2015.”

Como estou propondo uma alternativa de desenvolvimento para a agroindústria brasileira na minha pesquisa de doutorado, conhecer melhor a história desse setor é imperativo e sentia falta de uma leitura crítica como a existente nesse artigo, que faz contraponto à abundância de textos sobre o agronegócio como paladino da sustentabilidade.

Muito bom.

O texto traz um histórico da agricultura convencional brasileira defendendo a tese de que, apesar da aparência moderna da agroindústria, as mazelas que esta apresenta ainda são as mesmas que a do Brasil colonial, pautada na concentração de riquezas e exploração da força de trabalho.

Um momento crucial no texto é quando fala do processo de implantação da chamada “revolução verde” no Brasil. A menção à participação da norteamericana Fundação Rockfeller me lembrou do livro “Confissões de um Assassino Econômico” de John Perkins (em inglês Confessions of an Economic Hitman), em que ele descreve como o governo norteamericano, por meio de empresas de consultoria “independentes” forçavam a realização de grandes projetos de infraestrutura em países da Ásia, África e América Latina por meio da realização de parcerias para aquisição de tecnologias e know-how norteamericano sob o apelativo slogan da modernização. Apesar da autocomplacência do autor, esse livro vale a pena ser lido.

Pontos-chave:

  • Eterna dialética da dependência entre economias centrais e periféricas que só favorecem as respectivas elites;
  • Os atrasos da “modernidade”;
  • A crise estrutural do capitalismo e seus efeitos nefastos em economias periféricas;
  • O perigo da “financeirização” da produção;
  • etc.

Senti falta da exploração de evidências (fundamentadas em dados estatísticos ou fatos) que confirmassem a tese do texto. Mesmo assim, recomendo muito a leitura.

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